Fim de carnaval, quarta-feira de cinzas, lá se vai a maior festa popular brasileira. Pra mim não muda nada, meus últimos dias tem sido de muito desânimo, de muita fadiga e sonolência.
As pessoas que não tomam remédios psiquiátricos não fazem ideia do que passamos, aliás eu venho atribuindo essas reações nocivas a eles, mas muitas vezes me pergunto se na verdade não sou uma preguiçosa crônica. Tudo é uma luta, levantar da cama é tempestuoso, começo atribuir ao lítio, logo depois ao rivotril e em seguida ao topiramato mas nada adianta porque eu tenho mesmo que levantar. Mas eu não consigo e isso tem haver com a minha condição humana, talvez os porquês me levanto. Eu quero uma outra vida. Fazer outras coisas, conhecer outras pessoas. Não, eu gosto dessa vida. Eu sou feliz. Mas de tão inquieta eu preciso ficar quieta. E ai, as drogas! Elas escurecem algo. Dividem meus pensamentos, eu não sou eu, mas precisa ser assim, porque sou doentia? Mas eu estou sadia? Sendo artificial eu sou sadia? O que é ser sadio nesse mundo sórdido? Eu já saio na frente por que sei que algo no mundo está errado? Deveria me orgulhar? Depreciar? O que existiu no meu pregresso? Onde eu estou? Para onde eu vou? Lá tem Prozac?
