quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

E eu vi.

Vivo em um poço, leitor não tenha dó, por favor.
Sempre o escalo e em menos de 10 metros escorrego, caio.
Aqui é bom, confortável, é comodo. Vejo o sol, tenho bom a acesso a água potável, usufruo das  informações, elas chegam nas minhas mãos, recebo visitas que não acham conveniente esse meu mundo.
Sou tola, há ocasiões que acredito saber mais da vida do que os que a desbravaram, conheço só na teoria.
Muitas pessoas usaram todos os seus sentidos, a visão, o tato, a audição, o olfato e o paladar, até mesmo foram sensitivas. Eu, presunçosa, pensando em ser maior que as Maldivas, sou menos que um grão de areia.
Nunca fui aventureira, guerreira, mas sempre afirmei que não tinha medo de nada.
Hoje fica claro, eu tenho, medo de tudo, por isso moro num poço.
Crianças brincam, pulam corda, se escondem, jogam bola, escorregam, fingem ser mães de bonecas, brincam de carrinhos, ficam na rua. Eu não, eu tinha medo da rejeição e de ser ridícula.
Brincava só, gostava do glamour das minhas Barbies,  de manobrar meu caminhão de madeira, de inventar coisas o meu LEGO, conversar com a minha mãe e fingir que estava cozinhando como ela, ela não me rejeitaria, dançava com discos da Xuxa, via ela descer da nave, escrevia cartas para ela no endereço, rua Saturnino de Brito, número 74, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, CEP 22470, acho que ela nunca as leu, amava a escola, eu tinha o QI acima dos outros da turma, grande merda!
Sou medrosa, tenho medo de perder pessoas, de ser abandonada, mas sempre estou no ridículo. 
O meu poço já tem fragrância de laranjeira, coisas da adaptação.
Depois de adulta, não andei de bicicleta, não sei jogar sinuca, não jogo tabuleiro desde 2005.Agora é só fazer analogias com o meu cotidiano.
Interessante e deprimente, quando querem me tirar da área de conforto, eu tenho respostas prontas, "Não posso CID F29 e F61". (CID-código internacional de doenças F29 esquizofrênia, F61 Transtorno de personalidade borderline ou limítrofe) 
Assim consigo ser a "café com leite" da vida.
O poço se abriu há alguns anos, vi ótimas coisas, em segurança, sabendo que eu tinha suporte.
Clarice Lispector disse em uma ocasião a frase celebre:"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome". Estou como Clarice, a emoção e os sentimentos que sinto não são nomeáveis.
Minhas aspirações, começam em plantar um girassol, dançar maracatu, não gerar expectativas, me vestir sem medo do ridículo, não tomar remédios, cultivar bromélias, estudar a bíblia, lógico sair do poço, até visitar o México e correr pela Chapada Diamantina.



Observação: Depois dos meus 30 anos conheci a Xuxa, vi bem de perto. Chorei. E com 30 e poucos anos eu dancei tindolêlê, bem ridícula.

Vou achar a foto.

Obrigada Tio Anailton e Jane por me levar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Talvez eu voe para Ipanema...

Sonhei!!!
Ótimo.
Sonhei!!!
Difícil acontecer, um devaneio satisfatório, minhas noites costumam ser de delírios, agonia e pesadelos. Sonhos, nunca foram pra mim.
Que novidade, sonho.
Foi mais ou menos assim, havia um balão, daqueles que nos levam a lindos passeios.
O balão que estava disponível para o meu voo, era colorido, como eu gosto, vermelho, amarelo, muito glitter, excitava a vida.
A primeira sensação era infantil, mas incrível, me senti chupando açaí no Belém do Pará.
Foi mágico, como a primeira vez que subi em uma sapatilha de pontas, na aula de Ballet, mistura de medo e superação, tal magnitude que enxergava.
Sonhos são confusos, eu estava só, com uma cesta de frutas e uma garrafa de Lambrusco. 
Havia uma caixa, muito bem embrulhada, com o aviso dizendo que quantos mais pés eu voasse deveria lançá-la. Não me lembro se cumpri o mandamento, coisas de sonho. 
Fiz dois pousos, o primeiro nos lençóis maranhenses, comi minha manga, chupei um pedaço de melancia, toda lambuzada como uma criança de cinco anos, chorei, dancei, contemplei a perfeição. Brinquei com areia e a água.
Em minutos estava tomando umas doses de tequila, em Tijuana, e alguém me alertou ou percebi, não sei ao certo, que não poderia voar pois estava abraçada ao vaso sanitário e a um José Cuervo.
Despertei, alegre! Como uma criança do Maranhão ou uma destemida em solo mexicano.
Sempre me aproximei da tempestade e da calmaria.
Hoje estou "domesticada".
Esse processo de auto conhecimento me ensinou algo, que esse sonho revelou do inconsciente.
Toda a aventura com o balão, encarei sozinha.
Sempre amei o Mestre, Tom, para mim era o homem que mais sabia do amor, da mulher, do molejo e da vida. 
Porém, in memorian gostaria de dizer algo a Antonio Carlos Jobim.
Querido Tom, é pau, é pedra, é o fim do caminho, concordo, porém perdoe não concordo com "Wave" no trecho, "é impossível ser feliz sozinho".
In memorian com muito respeito, digo, ser possível ser feliz sozinho, meu bem amado, só há uma forma de ser feliz, sozinho.
Tom, a solidão não dói, ensina.


Wave

Vou te contar, os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar, e tudo que eu não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Compositores: Antonio Carlos Jobim
Letra de Wave © Corcovado Music Corporation

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Replay pela milésima vez

A vida do fracassado,
não exige muito,
basta existir.
Como misturam Chico e Drummond,
Basta nascer e um anjo safado,
lhe dizer que está predestinado a ser
frustrado assim.
Também coloquei meu jeitinho no texto.
O meu anjo veio e determinou:
 - Vai  ser errada, sim.
Quem briga com anjo?
Quem se opõe a forças superiores?
Bem, eu não.

A palavra chave é "predestinado".
Algumas pessoas acreditam que somos salvos e vivemos pela graça, pelo amor de Deus.

Outros acreditam que somos predestinados, Deus já escolheu quem serão os salvo. Esses nomes já estão no livro da vida.

Eu não sou predestinada.
Aliás, a ser errada assim, sim.
Eu fui escolhida a dedo.
Corpo fala. Corpo dói.
Não entendo de sentimentos
Não sou uma pessoa boa,
Sou mesquinha.
Sou corrupta.
Sou vaidosa e invejosa.
O consolo: Estava escrito.
Predestinação.



sábado, 16 de fevereiro de 2019

Aquele de todo dia

Dor, 
Sim, péssima dor,
Constatação,
Realidade, 
Sou quem sou.

Desastre pequeno

De poucas proporções,
Sem mortes,sem feridos,
Mas com dores
Físicas e existências.

Menor que um grão de areia,
Insignificante, 
Dependente, feito cego, 
Chove, cai tempestade,
Junto a vaidade.

Gritos eternos de desespero,

Profunda ardência,
Eterna incoerência,
Uma gota de inocência.

Um minuto, 
Só falta meu batom vermelho...


Tudo a mesma coisa

O rapaz,
O menino,
Um o emprego,
O outro, o brinquedo.

Rapaz é livre,
Menino da mamãe,
Um ver-se só,
O outro, grita colo de mãe.

Sempre engomado,
Sempre bagunçado,
Um é o outro,
Um já foi o outro.
A diferença é que um diz:
- No meu tempo
E o outro:
- Quando eu crescer!


               































domingo, 10 de fevereiro de 2019

Dos raios

15 dias, a paixão,
15 dias, seriam 15 anos?
15 dias de descobertas,
15 dias, vejo como 1 dia,
15 dia um simples beijo,
15 dias e uma forte chuva,
15 dias e uma longa distância, 
15 dias não é pra sempre,
16 é?