Como seguirá menino? A estrada fechou, O ônibus passou, O amigo dormiu, A mãe adormeceu, O pai zela outro amor. Como seguirá menino? Está com sono, fome e sede, Está ansioso, Muito triste, Insiste, Não deixe de lutar. Só você vai chegar, só você chegará lá.
Ação. Comoção. Dedicação. Motivação. Arritmia. Taquicardia. Visão turva. Euforia. Conquista. Tranquilidade. Medo. Insônia. Um Projeto. Várias sensações e uma realização.
Fico dentro. Fico fora. Tomo lítio. Bebo Coca. Acordo cedo. Durmo a tarde. Faço xixi. Bebo água Danço funk. Choro a esmola. Sinto diva. Sinto morta. Sei ler. Não sei escrever. Sei escrever. Não gosto de comer. Comer é bom. Mas não sei ler. Viver cansa. Quero mesmo é morrer.
Há um tempo invoquei que queria ir à um show de Geraldo Azevedo, assim que ele passasse pela minha região, o ABC paulista, gosto muito de uma música dele chamada "Dona da minha cabeça" .Passei a acompanhar a agenda cultural da cidade, até que para minha felicidade estava na programação Zé Geraldo sob a realização do SESC.
Chamei uma amiga, cantei a música pra ela e sim, ela aceitou, iriamos ver e ouvir Zé Geraldo.
Chegando ao teatro, comecei a olhar os banners, não reconhecia o cantor mas já estava ali. Fui até o final. Troquei o Geraldo.
Quando o Zé, o Geraldo, começou o show, não tinha dúvidas estava no melhor lugar do mundo.
O "meu" primeiro Geraldo, é pernambucano canta a música nordestina, já esse um mineiro, contador de histórias, voz de mel, um poeta.
Chorei.
Sorri.
Pensei.
Tive momentos de mulher.
Momentos de cidadã brasileira.
Momentos de cidadã do mundo.
Momento de um simples, mas lindo botão de flor.
Fui levada ao sertão de Minas Gerais. Às Serras.
Ao colo do pai e aos braços do homem amado,
Hoje desejava um ouvir Zé. Ou Geraldo Azevedo que faz uma balanço apaixonante.
Essa troca mudou muita coisa no meu gosto musical, logo veio Dylan, Renato Teixeira e muita música folk.
Quanta gente ficou. Quanta coisa ficou. Quantas sensações se perderam. Há coisas que nem me lembro mais. Pessoas talvez nem existam mais. O que adianta, agora, dar valor, ficou lá atrás.
Não esquecer de dizer da compulsão por doces, da fadiga excessiva e do sono perturbado. Adoraria entrar naquela sala e sair, no mínimo, 20% curada, a cada encontro. A verdade é que não estaria mais fazendo visitas regulares, mês a mês, uma terapia por semana.
Muitas vezes tenho um sentimento de quem está vencendo a batalha, a guerra.
Em outras sinto-me vítima de um sistema, ou pior, minha própria vítima.
O caminho da loucura é largo,perigoso pois é julgado pelos outros. O que faz sentido para uma pessoa, socialmente é inaceitável,
Eu li um trecho na bíblia que está em Mateus 7:13-14, diz assim "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem."
Sinceramente, esse trecho definiu bem tudo aquilo que eu passo todos os dias. Será que é assim que meu médico me entende? Solução, anotar essa constatação à próxima consulta.
Sinto a frente de um espelho a necessidade de me olhar com honestidade, não há como ignorar nossos defeitos estéticos, o cabelo sem vida, as sardas aparentes, os quilogramas acima de um padrão, que na verdade, não sei onde foi estabelecido, mas estando enraizado em nossa cultura e na forma de ver o bonito, levo em consideração. O estético já importou. O sofrimento da adolescência, como é dolorido perceber que você não é a musa da sua turma ou do seu colégio, eu, particularmente causava uma estranheza por meus atributos nada atrativos, eram desproporcionais e estranhos, não era uma garota bonita, definitivamente.
Hoje o espelho me amedronta porque somos eu e eu, num olhar sério em uma avaliação de caráter, de personalidade e de comportamento. Talvez por isso sempre me olho à primeira vista e imediatamente esboço uma careta. Estranho quando me atento ao espelho no intuito de produzir uma maquiagem não há tamanha estranheza, seria por que o objetivo é colocar uma máscara, ficamos belas e não temos compromisso com o que somos mas com o que vamos aparentar. Uma armadilha, a cara sempre é lavada, sempre voltamos ao natural. Não sei se evito espelhos, se evito maquiagem ou se de uma forma madura encaro-o sem esquecer quem sou, mesmo que eu esteja descobrindo agora, abandono as caretas e levo um papo franco comigo mesmo.
Naturalmente, tenho medo do desconhecido, hoje ao ouvir a palavra mastodôntica pensei jamais utiliza-la, ainda mais por pensar se tratar de um animal. Sinceramente, em minha mente atribui, em segundos, características ao "estranho mamífero". Fui esclarecida de que a palavra significa grandeza, me peguei no silêncio imaginando quantas coisas deixamos de aprender, quantas pessoas deixamos de conhecer, quantas estradas não trilhamos pelo fato de julgarmos o desconhecido, o diferente, a nomenclatura jamais ouvida.
Na adolescência havia um lado bom em quebrar alguma parte do corpo e eram exatamente as assinaturas e declarações que os amigos deixavam estampado no transitório gesso. Hoje qual seria a situação do meu gesso. Assinaturas? Declarações? A única certeza é que ele seria passageiro, E talvez retirado branco, traria uma tristeza transitória, porém no outro dia não lembraria que o que fora quase uma obra de arte há anos e que atualmente não passa de um corretor, para uma travessura de um adulto qualquer.
Me deparei com as folhas secas, lançadas ao chão. Por um momento fui tocada por tamanha beleza, as cores diferenciadas mas sempre num mesmo tom, todas enfrentam a mesma realidade, em uma fase de mudança, foram desprezadas, acabará uma de seus ciclos, Me pergunto o porquê de tanto desprezo com algo tão belo. Será necessário? Sim, é.
Por que dizer a verdade sobre quem você é? As pessoas vão formular quem somos segundo as expectativas de cada uma delas. Se convivem com você e ouvem a opinião de um terceiro, automaticamente aquilo que ela viveu ao seu lado, passa a ser objeto de julgamento.
As minhas marcas de expressão não me entristecem mas as batidas aceleradas do meu coração como um ponteiro, que ao marcar a hora exata, despertará. E ai? Qual será meu compromisso? Só me resta a ansiedade.
A vida é tão efêmera, há alguns minutos vislumbrei um belo pôr-do-sol, o céu foi tomado por várias camadas de cores, um degrade maravilhoso. Se eu estivesse em qualquer lugar que não fosse a "janela lateral", teria perdido o espetáculo.