Sinto a frente de um espelho a necessidade de me olhar com honestidade, não há como ignorar nossos defeitos estéticos, o cabelo sem vida, as sardas aparentes, os quilogramas acima de um padrão, que na verdade, não sei onde foi estabelecido, mas estando enraizado em nossa cultura e na forma de ver o bonito, levo em consideração. O estético já importou. O sofrimento da adolescência, como é dolorido perceber que você não é a musa da sua turma ou do seu colégio, eu, particularmente causava uma estranheza por meus atributos nada atrativos, eram desproporcionais e estranhos, não era uma garota bonita, definitivamente.
Hoje o espelho me amedronta porque somos eu e eu, num olhar sério em uma avaliação de caráter, de personalidade e de comportamento. Talvez por isso sempre me olho à primeira vista e imediatamente esboço uma careta. Estranho quando me atento ao espelho no intuito de produzir uma maquiagem não há tamanha estranheza, seria por que o objetivo é colocar uma máscara, ficamos belas e não temos compromisso com o que somos mas com o que vamos aparentar. Uma armadilha, a cara sempre é lavada, sempre voltamos ao natural. Não sei se evito espelhos, se evito maquiagem ou se de uma forma madura encaro-o sem esquecer quem sou, mesmo que eu esteja descobrindo agora, abandono as caretas e levo um papo franco comigo mesmo.
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