segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Limítrofe

No limite do abismo
No limite do abraço
No quase,
Na fronteira da loucura
Na fronteira do sangramento

No limite da morte 
No limite do assassinato
No quase, 
Na fronteira do passado
Na fronteira da psicose

No limite da paranoia 
No limite da liberdade
Quase.


Aquela estrada

Pedro, sua morte não te tornou uma boa pessoa, você sempre foi um homem bom.
Eu, mais que ninguém, deveria ter compreendido, não somos diferentes em nada.
Fui mesquinha, sem compaixão, nunca pensei na importância que tinha na vida do meu pai.
Somente esse fato deveria bastar para não te perseguir.
Se de algum lugar, está,  ouvindo minha mente, serei melhor, tentarei.
Estou envergonhada.
Nesse natal que Jesus me perdoe, por não calçar suas sandálias.
Esteja bem onde está, fomos programados para errar, Deus possa me perdoar.






quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Violeira

Com, não mais de 9 anos, a menina subiu ao palco e junto a seus colegas de classe, todos aprendizes de Viola Popular, coordenados pela Professora Zilma.´
Na platéia, eu estava encantada com as criança junto ao violão maior que elas.
Aquela prodígio tocou lindamente.
Olhos e cabelos encaracolados castanhos, me vi menina, certamente não teria tão determinação.
Começou, tocar e cantar, uma música do querido Tim Maia, extremamente apropriada a sua idade. Lá vai um trecho:
"Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego, eu quero sossego."
Uma criança precisa de tempo para brincar, conhecer, explorar, aprender um instrumento musical. Nada de emprego.
Não sei o porquê de escrever sobre a violeira mirim, talvez, em alguns momentos me coloquei no lugar da pequena.
Que o Universo nunca permita, nem mesmo por um segundo, que aquela bela e inocente olhe para mim, mulher, se identifique e queira estar no lugar de uma poeta.