terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Não mexe comigo...

Fim desse ano,
Recomeço da plantação,
Continuação do que deu certo,
Ceticismo com os erros.
Sincretismo nas crenças
O fim é assim

Fim, 
Choram, 
Esperançam, 
Descansam, 
Contemplam, 
Riem, 
Planejam.

Aleluiam,
Começam, 
Lá vem ano novo, 
Com ele os desejos, 
os enganos, 
os acertos
os planos.

Lá vem o ano, 
Todos imaginam, 
Mas eu não sei, 
Ninguém sabe.

Lança-se a sorte, 
Acredita-se no destino, 
Em Deus, 
Nos Orixás, 
No Universo, 
No Amor. 

Eu só quero, 
Ir de lá pra cá, 
Cair e levantar 
Amar e amar
Desejar, 
Sorrir, 
Chorar, 
Fazer o que em todos os anos fui capaz de aguentar, de carregar, de suportar e superar.






segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Qualquer soneto me faz rir...

"É impossível ser feliz sozinho", disse o poeta,
Ô!!! Vinícius, não.
É possível ser feliz sozinha.
Certamente, 
Pessoas sós, anseiam por felicidade,
E assim, são.
Sem um grande amor,
Poucos amigos, 
Antissociais,
Sós,
Se bastam, 
Se descobrem, 
Extremas verdades.
Sou, eu, a boneca russa, 
Hoje, consigo olha àquela primeira.
Dispenso;
Aceitação, 
Fui e sou.
A falta de ar,
A taquicardia,
Ansiedade me consomem,
Sozinha, darei conta. 
Burocracias sociais, 
Não me assustam mais.
Sonhos, 
Cada dia o seu mal.
Mas aprendi a ser feliz sozinha.




domingo, 8 de setembro de 2019

A tristeza de cada dia.

Da janela, o vento
Do céu, o azul
Nuvens se dispersando
Em cada morada 
Alegria ou dor.

Alguém sente minha falta?

Está no céu
localização longinquá.
Mau caminho no chão, na terra seca.

Boca seca
Olhos secos 
Alma emparedada. 

Da janela, o vento
Do céu, o azul
Nuvens se dispersando.




sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Desperte

Meio sem vontade
Todo com fome
Meio com frio
Cabeça vazia
Sem planos
Sem sonhos
Sem você.
Há procura nos cobertores
Só o medo está lá
A morte está lá.
Tenho que me descobrir da tristeza
Sem choro
Sem sorriso
Só o aperto no peito
Acelera o coração.
Estamos ligados na pouca energia interior
O corpo não responde
E assim a gente se acorda
Torcendo por mudança 
Até o fim de nossos dias.




quinta-feira, 25 de julho de 2019

Porão

Ali estava eu, acoada
Sem fome
Sem livros
Sem banho
Ali estava eu, acoada.
Liberdade
Aqui estou eu, acoada.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Infla

Me sento a sua mesa 
Meu ego morre,
Agitam meus sons
Sou puro barulho.
Olhos que brilham
Meu coração baila
Sua alma reflete.


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Um ligeiro

Esperar é uma dúvida
Sempre uma escuridão,
Se um abraço, agradeço
Se uma dança aceito
Se felicidade, me entrego
Se chorar, lamento.


domingo, 14 de julho de 2019

Seja livre

O meu gato, 
Não, 
O nosso.
Cujo, o nome é gato,
Não foi registrado
Porém tem sobrenome.

-Faça arte gato...
-Arranha os móveis...
-Saia para ver o sol gato...

São nossos pedidos.

Aceita o conselho.

Vem para a vida gato.
O nosso gato.



domingo, 30 de junho de 2019

Domingo, não que te encontrar.

Por que você?
Por que o árabe?
Por que o etíope?
Eu? Por que?
Sanidade
Nada a oferecer
Passam, horas, minutos, passam dias
Nada é feito
Somente a tentativa de sobreviver
Tudo mesquinho
Problemas
Rir de si mesma
Chorar, dramatizar tudo
E aos lados ninguém
Somos planetas
Onde não há constelação 
Onde não há satélite
O sol, esse sim, nasce para todos
Chega, o pior
Domingo,
Pior das feras
Consome minha carne, 
Meu espírito
Ansiedade
Taquicardia
Corpo suado
Logo é segunda-feira
Fatalidade
O destino
Nossos destinos
Fazer o que gosta
Sem saber se gosta
Melhor que domingo lento
Essa vida cretina
Artificial 
Serotonina e dopamina
Vem segunda
Se quem planta colhe, 
A solução são as sementes.



sábado, 29 de junho de 2019

Infeliz!

Tempo, não me engane
Você não cura nada,
Não amenizas,
É chorar e lembrar
O tempo não cura
Fui enganada
Ou você corre, ou o tempo te pega
Ô tempo bandido.


É o que tem para hoje...

Preciso
Urgentemente, preciso
Imediatamente, preciso
Precisar, esperançar, cuidar
Meus verbos
Vontades de ser humano
Os olhos
Enxergarem maravilhas 
Pisar nas dificuldades
Vencer o medo do ônibus
Saber as leis de Newton
Encantar-se com um pinguim 
Inocência, medo de dinossauros
A pele da cobra
Entendiar-se com a inércia de um tubarão
Uma moreia feia
Abraçar peixes
É, a vida é agora
Preciso da vida
Renascer, aperfeiçoar e humanizar
Pequenas coisas emanam beleza
Essa é conclusão de hoje
Só isso.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

O que?

Amor triste
Amor existe
Amor insiste
Amor disperse
Amor desperte
Amor repete
Amor sobriedade
Amor sororidade
Amor invade
Amor desiste
Amor esclarece
Amor resiste
Amor é.



quarta-feira, 12 de junho de 2019

Aquela

Lembre-se do meu nome
Sonhe, mas lembre-se do meu nome
Saiba que sou única, 
Mas não o esqueça,
Meu nome é plural,
Seja gentil e lembre-o
Rosto, esqueça, porém o nome...
Veja fotografias e identifique-o
Escreva, o meu nome?
Seja grato e lembre-se.
Traduza-o.
Diga-o.
Grite-o.
Anote-o.
Aquele dia, 
Nasceu um nome!




domingo, 26 de maio de 2019

limítrofe


Estou na fronteira e não tenho nacionalidade.




...

Eu quero morrer
Ou já morri
Não me sinto a vontade nesse lugar
Não sou parte de nada
Eu sou nada
É triste porém verdade
Não sou profissional
Não sou mãe
Não tenho relacionamentos
Me faltam amigos
Odeio o sábado
Odeio o domingo
Não quero tomar banho
Não consigo chorar
Sem atividades físicas
Sem criatividade
Nada de alegria
Não sou grata a nada
Odeio ter nascido
Detesto parques
Odeio pessoas
Certamente estou morta.




 L C Zulian


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Código

Um vazio
De barriga cheia
Coração funcionando
Porém ferido
Cheio de pessoas
Solitária.

As pessoas me dão medo
Toda pessoa
Não diz toda a verdade
Ou te poupam 
Ou te enlouquecem
Talvez em libras
Talvez em braile
Alma não tem leitura.

Em cores é a vida
Preto e branco
É a estrada
Matar pessoas
Ser morta por alguém.

Nada do que foi escrito
Tem nexo
Mas minha alma entendeu.

sábado, 11 de maio de 2019

Super heroína

Mãe, me segura?
Mãe, me cura?
Mãe, qual o caminho?
Mãe, não me deixe sozinha...
Mãe, se não fosse do teatro, o que eu seria?
Mãe, por que tanta cultura?
Mãe, você brilha.
Mãe, você luta.
Mãe, você nunca foi "Senhora".
Mãe, sabe, a nomenclatura mãe? Não tem outro pronome.
Mãe, o que é guerra?
Mãe, quantas vezes me mostrou o pôr do sol!
Mãe, o luar!
Mãe, quanto sangue eu perdi, mãe você estava lá.
Mãe, eu não te ouvi.
Mãe, te feri.
Mãe, não me deixe.
Mãe, você é minha melhor professora.
Mãe, faz nosso macarrão com brócolis.
Mãe, amo te ver de véu.
Mãe, de todas as flores existentes, desde uma vitória régia à flor de lótus, sempre há algo no seu adorno,
Mãe, eu não cresci, não madureci, não venci.
Mãe, você me ofereceu tudo.
Mãe, eu ainda sou criança.
Você ainda é Mãe.




quinta-feira, 25 de abril de 2019

É fácil.

Nós, os loucos, nos aproveitamos da loucura.
Não, não é proveito faz parte da loucura.
É bom estar com um pé na realidade,
Ou, na maior parte das vezes no lúdico.
Diferente, a gente é diferente,
Peculiar essa tal loucura de gente.
O que é o louco afinal?
Eu, louca, 
Exagero, 
Vezes ouço pássaros, 
Vezes ouço o doutor.
Doutor de louco é engraçado,
Nos dá uma receitinha da vida.
Mas Doutor, receita pra louco,
É loucura,
Louco é louco.
Sou louca de "pedra",
Sou louca "camuflada".
Sou louca de todo tipo.
E sabe loucura que cura louco:
Viver.



terça-feira, 16 de abril de 2019

Simples.

Eu não sou a minha mãe,
Eu não sou meu pai, 
Eu não sou meu irmão,
Eu não sou meu transtorno, 
Eu não sou a minha profissão,
Eu não sou dinheiro que não tenho, 
Eu não sou a casa que eu moro, 
Eu não sou meu país,
Eu não sou minha cidade,
Eu não sou nada,
Eu existo.



domingo, 14 de abril de 2019

Pés

Já fui ousada, 
Eu não tinha medo,
Eu sorria,
Eu me amava,
Eu me inventava.
Os meus pés
Sonhavam, 
Eram perfeitos,
Os sonhos.







segunda-feira, 8 de abril de 2019

Cor

Oito ou oitenta
Preto ou branco 
Oito ou oitenta
Branco ou preto 
Oito ou oitenta
A cor do colarinho
Oito ou oitenta
Pobre ou rico
Oito ou oitenta
Vive ou sobrevivi
Oito ou oitenta
Hétero ou Homo
Oito ou oitenta
Caneta ou pá
Oito ou oitenta
Ontem morreu um preto, com oitenta


Evaldo Rosa dos Santos morreu após o carro da família ser alvejado por 80 tiros do Exército


terça-feira, 2 de abril de 2019

Talvez

Loucura minha?
Loucura sua?
Entender...
Impossível,
Libras ou braile,
Não traduzem.
A expressão da alma?
Meu sentimento é ópio,
Absinto é a minha essência,
A minha loucura, 
É isso.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

História de árvore.

Jatobá,
Bela árvore, 
Parece pequena,
Da Amazônia,migrou,
Apareceu aqui.
Morada de quatro pássaros, 
Muitos voaram a partir dela,
Quem acha que Jatobá não sofre,
Não sabe o que é natureza,
Nem do homem, 
Nem da flora.
Tristes, abandonadas.
Pássaros se abrigaram na chuva, 
Se refrescam no calor.
O observador não entende, 
Pássaros são abrigados.
No fiel Jatobá,
Em Taiwan ou Madagascar.
Com sonhos, 
Com imaginação, 
Com choro,
Sofrimento e contentamento.
Gratidão amado Jatobá.
Talvez voltarei para te abraçar.
Em meu coração, 
sempre te estarei "a regar".
Diferente do metal,
Dificilmente apaga-se a me memoria de um Jatobá.
Continue meu amigo, continue a dar sensações.
Perto de ti houveram muitas emoções.





terça-feira, 26 de março de 2019

Eu fico imaginando nós dois.

Os da noite,
Pensam ter as estrelas,
Desejam a lua.
O álcool,
A noite,
Convidativa,
Beijo insuficiente, 
Noite com paixão,
Loucura, 
Amantes.
Pares, 
Impares, 
Inconscientes
Se há brasa, queima.
Se há música, dança.
Se há poesia, declama
Se há mágoas bebe,
Se há solidão, paga.
Se for felicidade,
Esperam o nascer do sol.







domingo, 24 de março de 2019

O que passa...

Um dia desses eu esbarro com o amor,
Um dia desses eu esbarro com a compaixão,
Um dia desses, quem sabe, eu me veja calma.

Não chore menina, 
Todos partem,
Não chore menina,
Sonhe.

Um dia desses eu esbarro com a felicidade,
Um dia desses eu esbarro com a cura,
Um dia desses, quem sabe, eu me veja serena.

Sorria menina, 
Todos partem,
Sorria menina, 
Sonhe.

Sonhe com um dia desses, 
Sonhe com o futuro,
Sonhe com o vintage.
Sonhe com o antiquário,
Sonhe com o inadequado.

A moda sempre volta, 
Chore e sorria, até grite,
Há chances remotas porém 
O antiquário sempre atrai bons clientes.
Aguardemos.




Milagre!

Ansiedade,
Não me mate, imploro.
Ansiedade e taquicardia,
gerando agonia.

Medo, 
Vá embora, não sei,
Medo,
Hoje e o amanhã não sei.

Esperança, 
Coisa que machuca como vingança
Esperança,
não move moinho.

Movimento, 
Quero vento, meu ar.
Movimento, seja atento.
Haja vento.

História, 
Não me cobre, 
História, eu sei.
Remissão, sempre remissão.

Idas e voltas,
Mundo, chega!

Quero paz em fortaleza.


terça-feira, 19 de março de 2019

Caminho

Mais para clube da luta,
que para o clube da esquina.
De asa delta,
que avião.
Mais um caminhão, 
que um super carro.
Sandália de sola de pneu,
que um Louboutin.
Analfabeto com brilhos nos olhos,
que Doutor sem sensação.
Mais ação,
Muita reação.
Muita vida, 
Menos morte.
Escolhas ou estagnação. 


sábado, 9 de março de 2019

Queria estar indignada no palanque

Hoje, 
Só queria hoje.
Até o pôr do sol .
Uma chance de sorrir de verdade, 
Gargalhar,
Perder o fôlego, 
Achar um sentido para vida, em alguns segundos.
Quando eu me cala-se saberia que teria caminhado em um lugar justo.
Pois  pude sorrir.
Não posso.
Sorrio dissimuladamente,
Vivo erroneamente, 
Sou sem pedigree, 
Porém domesticada, 
Sou um fantoche do mundo real,
"O Show meu mesmo", 
Como o do Jim Carrey.
Sou uma mente brilhante, 
Tenho asas, 
Tenho cores, 
Sinto, sentir é meu maior sentido.
Ninguém vê
Invisível.
Mistura de muita coragem e medo.
João Cabral de Melo Neto descreve, "mesmo quando a vida é assim pequena e franzina".
Essa é a pequinês da minha vida,
No nordeste há trinta anos, 
Morria-se aos trinta, 
de "morte matada" ou "morte morrida",
Teria eu passado a expectativa.
E "O Show meu mesmo"
Assim sem graça, sem conquistas, realizações,
Acabaria.



sexta-feira, 8 de março de 2019

Tempo de voo

Dia ideal pra morrer.
Como sei?
Acordei, sabia,
Meu corpo não obedecia, 
A voz não saia,
A memória não existia 
E por quarenta segundos eu não existia.
Tão conveniente para hoje, 
Me lembrar o que seria?
Como seria? 
Festejaria?
Viajaria? 
Pouparia os meus?
E isso tudo, passaria?
Eu fraquejei.
Seria mais, 
Cuidaria mais, 
Da árvore não precisaríamos voar!


terça-feira, 5 de março de 2019

Drama Queem

Conversa comigo, só um pouco?
Eu vou fingir que existo, 
Você fingi que se importa, 
Não é porque te acho diferenciado é que sua tristeza me deixa a vontade.
Posso falar dos meus erros, de zumbis, de relacionamentos difíceis, o seu olhar acolhe a demanda.
Eu tenho picos de tristeza. 
Não sou triste. Já você.
Ao seu lado as boas emoções são sugadas.
Mas, conversa comigo?
Preciso de desprezo, de uma pessoa se projetando, se comparando a mim e ainda assim vê vantagem?
Acho que desejo sentir pena.
Dó.
Nasci
Existo.
Só me aproximo de pessoas como você para tentar estrear, no entanto, ouço babaquices, coisas bizarra, mas eu incorporo por medo do que falam.
Cheia de encontros desumanos.
Um folhetim à mexicana, eu a rainha do drama.
Conversa comigo um pouco?
Para eu sentir nojo dos planos que fiz.
Tenho asco de mim, do quanto fiz para hoje, ser isso aqui, caminhando com esses daí.
Estrangeira.


domingo, 3 de março de 2019

Deslocada nesse mundo.

Não encontro meu lugar.
Nasci para ter moradia?
Quero ser pássaro.
Morar ao luar.

O sol, companhia,
O verde, pousada,
Elegante moradia,
Sempre muito ousada.

Banhos no rio, 
Evitar correntezas,
A vida por um fio,
Não temer as incertezas.

Liberdade é sonho,
Liberdade é o objetivo,
Liberdade necessita levantar punho,
Liberdade, solo produtivo.

Liberdade, é morte.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

E eu vi.

Vivo em um poço, leitor não tenha dó, por favor.
Sempre o escalo e em menos de 10 metros escorrego, caio.
Aqui é bom, confortável, é comodo. Vejo o sol, tenho bom a acesso a água potável, usufruo das  informações, elas chegam nas minhas mãos, recebo visitas que não acham conveniente esse meu mundo.
Sou tola, há ocasiões que acredito saber mais da vida do que os que a desbravaram, conheço só na teoria.
Muitas pessoas usaram todos os seus sentidos, a visão, o tato, a audição, o olfato e o paladar, até mesmo foram sensitivas. Eu, presunçosa, pensando em ser maior que as Maldivas, sou menos que um grão de areia.
Nunca fui aventureira, guerreira, mas sempre afirmei que não tinha medo de nada.
Hoje fica claro, eu tenho, medo de tudo, por isso moro num poço.
Crianças brincam, pulam corda, se escondem, jogam bola, escorregam, fingem ser mães de bonecas, brincam de carrinhos, ficam na rua. Eu não, eu tinha medo da rejeição e de ser ridícula.
Brincava só, gostava do glamour das minhas Barbies,  de manobrar meu caminhão de madeira, de inventar coisas o meu LEGO, conversar com a minha mãe e fingir que estava cozinhando como ela, ela não me rejeitaria, dançava com discos da Xuxa, via ela descer da nave, escrevia cartas para ela no endereço, rua Saturnino de Brito, número 74, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, CEP 22470, acho que ela nunca as leu, amava a escola, eu tinha o QI acima dos outros da turma, grande merda!
Sou medrosa, tenho medo de perder pessoas, de ser abandonada, mas sempre estou no ridículo. 
O meu poço já tem fragrância de laranjeira, coisas da adaptação.
Depois de adulta, não andei de bicicleta, não sei jogar sinuca, não jogo tabuleiro desde 2005.Agora é só fazer analogias com o meu cotidiano.
Interessante e deprimente, quando querem me tirar da área de conforto, eu tenho respostas prontas, "Não posso CID F29 e F61". (CID-código internacional de doenças F29 esquizofrênia, F61 Transtorno de personalidade borderline ou limítrofe) 
Assim consigo ser a "café com leite" da vida.
O poço se abriu há alguns anos, vi ótimas coisas, em segurança, sabendo que eu tinha suporte.
Clarice Lispector disse em uma ocasião a frase celebre:"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome". Estou como Clarice, a emoção e os sentimentos que sinto não são nomeáveis.
Minhas aspirações, começam em plantar um girassol, dançar maracatu, não gerar expectativas, me vestir sem medo do ridículo, não tomar remédios, cultivar bromélias, estudar a bíblia, lógico sair do poço, até visitar o México e correr pela Chapada Diamantina.



Observação: Depois dos meus 30 anos conheci a Xuxa, vi bem de perto. Chorei. E com 30 e poucos anos eu dancei tindolêlê, bem ridícula.

Vou achar a foto.

Obrigada Tio Anailton e Jane por me levar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Talvez eu voe para Ipanema...

Sonhei!!!
Ótimo.
Sonhei!!!
Difícil acontecer, um devaneio satisfatório, minhas noites costumam ser de delírios, agonia e pesadelos. Sonhos, nunca foram pra mim.
Que novidade, sonho.
Foi mais ou menos assim, havia um balão, daqueles que nos levam a lindos passeios.
O balão que estava disponível para o meu voo, era colorido, como eu gosto, vermelho, amarelo, muito glitter, excitava a vida.
A primeira sensação era infantil, mas incrível, me senti chupando açaí no Belém do Pará.
Foi mágico, como a primeira vez que subi em uma sapatilha de pontas, na aula de Ballet, mistura de medo e superação, tal magnitude que enxergava.
Sonhos são confusos, eu estava só, com uma cesta de frutas e uma garrafa de Lambrusco. 
Havia uma caixa, muito bem embrulhada, com o aviso dizendo que quantos mais pés eu voasse deveria lançá-la. Não me lembro se cumpri o mandamento, coisas de sonho. 
Fiz dois pousos, o primeiro nos lençóis maranhenses, comi minha manga, chupei um pedaço de melancia, toda lambuzada como uma criança de cinco anos, chorei, dancei, contemplei a perfeição. Brinquei com areia e a água.
Em minutos estava tomando umas doses de tequila, em Tijuana, e alguém me alertou ou percebi, não sei ao certo, que não poderia voar pois estava abraçada ao vaso sanitário e a um José Cuervo.
Despertei, alegre! Como uma criança do Maranhão ou uma destemida em solo mexicano.
Sempre me aproximei da tempestade e da calmaria.
Hoje estou "domesticada".
Esse processo de auto conhecimento me ensinou algo, que esse sonho revelou do inconsciente.
Toda a aventura com o balão, encarei sozinha.
Sempre amei o Mestre, Tom, para mim era o homem que mais sabia do amor, da mulher, do molejo e da vida. 
Porém, in memorian gostaria de dizer algo a Antonio Carlos Jobim.
Querido Tom, é pau, é pedra, é o fim do caminho, concordo, porém perdoe não concordo com "Wave" no trecho, "é impossível ser feliz sozinho".
In memorian com muito respeito, digo, ser possível ser feliz sozinho, meu bem amado, só há uma forma de ser feliz, sozinho.
Tom, a solidão não dói, ensina.


Wave

Vou te contar, os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar, e tudo que eu não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver

Compositores: Antonio Carlos Jobim
Letra de Wave © Corcovado Music Corporation