Sonhei!!!
Ótimo.
Sonhei!!!
Difícil acontecer, um devaneio satisfatório, minhas noites costumam ser de delírios, agonia e pesadelos. Sonhos, nunca foram pra mim.
Que novidade, sonho.
Foi mais ou menos assim, havia um balão, daqueles que nos levam a lindos passeios.
O balão que estava disponível para o meu voo, era colorido, como eu gosto, vermelho, amarelo, muito glitter, excitava a vida.
A primeira sensação era infantil, mas incrível, me senti chupando açaí no Belém do Pará.
Foi mágico, como a primeira vez que subi em uma sapatilha de pontas, na aula de Ballet, mistura de medo e superação, tal magnitude que enxergava.
Sonhos são confusos, eu estava só, com uma cesta de frutas e uma garrafa de Lambrusco.
Havia uma caixa, muito bem embrulhada, com o aviso dizendo que quantos mais pés eu voasse deveria lançá-la. Não me lembro se cumpri o mandamento, coisas de sonho.
Fiz dois pousos, o primeiro nos lençóis maranhenses, comi minha manga, chupei um pedaço de melancia, toda lambuzada como uma criança de cinco anos, chorei, dancei, contemplei a perfeição. Brinquei com areia e a água.
Em minutos estava tomando umas doses de tequila, em Tijuana, e alguém me alertou ou percebi, não sei ao certo, que não poderia voar pois estava abraçada ao vaso sanitário e a um José Cuervo.
Despertei, alegre! Como uma criança do Maranhão ou uma destemida em solo mexicano.
Sempre me aproximei da tempestade e da calmaria.
Hoje estou "domesticada".
Esse processo de auto conhecimento me ensinou algo, que esse sonho revelou do inconsciente.
Toda a aventura com o balão, encarei sozinha.
Sempre amei o Mestre, Tom, para mim era o homem que mais sabia do amor, da mulher, do molejo e da vida.
Porém, in memorian gostaria de dizer algo a Antonio Carlos Jobim.
Querido Tom, é pau, é pedra, é o fim do caminho, concordo, porém perdoe não concordo com "Wave" no trecho, "é impossível ser feliz sozinho".
In memorian com muito respeito, digo, ser possível ser feliz sozinho, meu bem amado, só há uma forma de ser feliz, sozinho.
Tom, a solidão não dói, ensina.
Wave
Vou te contar, os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho
O resto é mar, e tudo que eu não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei, da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver
Compositores: Antonio Carlos Jobim
Letra de Wave © Corcovado Music Corporation