Vivo em um poço, leitor não tenha dó, por favor.
Sempre o escalo e em menos de 10 metros escorrego, caio.
Aqui é bom, confortável, é comodo. Vejo o sol, tenho bom a acesso a água potável, usufruo das informações, elas chegam nas minhas mãos, recebo visitas que não acham conveniente esse meu mundo.
Sou tola, há ocasiões que acredito saber mais da vida do que os que a desbravaram, conheço só na teoria.
Muitas pessoas usaram todos os seus sentidos, a visão, o tato, a audição, o olfato e o paladar, até mesmo foram sensitivas. Eu, presunçosa, pensando em ser maior que as Maldivas, sou menos que um grão de areia.
Nunca fui aventureira, guerreira, mas sempre afirmei que não tinha medo de nada.
Hoje fica claro, eu tenho, medo de tudo, por isso moro num poço.
Crianças brincam, pulam corda, se escondem, jogam bola, escorregam, fingem ser mães de bonecas, brincam de carrinhos, ficam na rua. Eu não, eu tinha medo da rejeição e de ser ridícula.
Brincava só, gostava do glamour das minhas Barbies, de manobrar meu caminhão de madeira, de inventar coisas o meu LEGO, conversar com a minha mãe e fingir que estava cozinhando como ela, ela não me rejeitaria, dançava com discos da Xuxa, via ela descer da nave, escrevia cartas para ela no endereço, rua Saturnino de Brito, número 74, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, CEP 22470, acho que ela nunca as leu, amava a escola, eu tinha o QI acima dos outros da turma, grande merda!
Sou medrosa, tenho medo de perder pessoas, de ser abandonada, mas sempre estou no ridículo.
O meu poço já tem fragrância de laranjeira, coisas da adaptação.
Depois de adulta, não andei de bicicleta, não sei jogar sinuca, não jogo tabuleiro desde 2005.Agora é só fazer analogias com o meu cotidiano.
Interessante e deprimente, quando querem me tirar da área de conforto, eu tenho respostas prontas, "Não posso CID F29 e F61". (CID-código internacional de doenças F29 esquizofrênia, F61 Transtorno de personalidade borderline ou limítrofe)
Assim consigo ser a "café com leite" da vida.
O poço se abriu há alguns anos, vi ótimas coisas, em segurança, sabendo que eu tinha suporte.
Clarice Lispector disse em uma ocasião a frase celebre:"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome". Estou como Clarice, a emoção e os sentimentos que sinto não são nomeáveis.
Minhas aspirações, começam em plantar um girassol, dançar maracatu, não gerar expectativas, me vestir sem medo do ridículo, não tomar remédios, cultivar bromélias, estudar a bíblia, lógico sair do poço, até visitar o México e correr pela Chapada Diamantina.
Observação: Depois dos meus 30 anos conheci a Xuxa, vi bem de perto. Chorei. E com 30 e poucos anos eu dancei tindolêlê, bem ridícula.
Vou achar a foto.
Obrigada Tio Anailton e Jane por me levar.

Nos meus 30 eu levava minhas filhas no show da Xuxa mas eu era mais fã que elas, e aniversário dançava todas as músicas, aliás ainda me atrevo, mas agora com as netas kkkk. Podemos fazer uma festinha pra dançarmos juntas ��
ResponderExcluirVamos marcar uma festa 80/90!
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